ATORES DA NOVELA DO MENSALÃO ESTÃO NOVAMENTE EM CARTAZ

Por Alessandra Germano

Se você precisasse de uma babá para seu filho, tivesse o cuidado de checar os antecedentes da candidata em questão e descobrisse que é acusada de maus-tratos, ainda assim contrataria tal pessoa? E a senhora sua mãe você levaria a um ginecologista acusado de violência sexual? Acredito que se você realmente ama essas pessoas, não deixaria que elas corressem tal risco. Certo?

No entanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pensa diferente. Claro que seu filho e sua mãe não têm a menor relevância para o TSE. Mas candidatos à eleição têm, e para o tribunal, o fato de alguns terem a ficha suja, não tira deles a capacidade e a idoneidade necessárias para concorrerem a cargos públicos.

Os ministros do TSE determinaram com 4 votos a 3 que os políticos acusados de cometerem crimes, independentemente da gravidade, em primeira e segunda instância não podem ser impedidos de se candidatarem a não ser que uma lei complementar seja votada pelo Congresso Nacional e estabeleça as condições para que o registro do candidato seja negado.

Como isso não aconteceu, está tudo liberado. Tão liberado que três réus do caso mensalão, em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), se candidataram este ano, e até sete desses acusados são padrinhos de outros candidatos.

No mesmo saco estão os ilustríssimos Anderson Adauto (PMDB/MG), José Borba (PP/PR) e Professor Luizinho (PT/SP), este ainda tem apoio do excelentíssimo senhor presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Nosso querido presidente elogiou Luizinho na cerimônia de inauguração da do campus da Universidade Federal do ABC, em Santo André. Ó que bunito!

Pela ordem:

Anderson Adauto é acusado de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e improbidade administrativa. O candidato à reeleição da prefeitura de Uberaba (MG), também foi incluído na lista suja da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). Ele confessou uso de caixa dois em disputas eleitorais;

José Borba é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O ex-deputado é candidato à prefeitura de Jandaia do Sul (PR). Para não ser cassado, renunciou ao mandato e migrou do PMDB para o PP. Teve a candidatura impugnada em primeira instância, mas, após recurso, foi deferida;

Professor Luizinho é acusado de participar do saque de R$ 20 mil feito por um assessor. Em 2006, ele perdeu a reeleição à Câmara federal. Este ano é candidato a vereador em Santo André (SP).

A importância de se ter um grande QI

Mas aí, quando você acha que se livrou de alguns estorvos que tiveram o mandato cassado e estão impedidos de se candidatarem até 2014, como José Dirceu (PT/SP), Pedro Corrêa (PP/PE), Roberto Jefferson (PTB/RJ), eles nos empurram seus respectivos filhos para dar continuidade ao seu legado:

Zeca Dirceu, filho do dito cujo, tenta a reeleição à prefeitura de Cruzeiro d’Oeste (PR). O candidato a prefeito, seu pai e Waldomiro Diniz (ex-assessor da Casa Civil) são acusados pelo Ministério Público de improbidade administrativa. Dirceu teria beneficiado seu filho com a liberação de recursos para Cruzeiro d’Oeste. O processo tramita desde 2005;

Aline Corrêa, fruto de Pedro Corrêa, é vice de Paulo Maluf (PP). Seu pai é acusado de quebra de decoro parlamentar por ter autorizado um ex-assessor do partido, João Cláudio Genu, a sacar R$ 700 mil das contas do empresário Marcos Valério de Souza;

Cristiane Brasil (PTB), herdeira de Roberto Jefferson, é candidata à reeleição como vereadora no Rio de Janeiro. Sem comentários.

Mas, além dos filhos, há os apadrinhados. O deputado João Paulo Cunha (PT) foi uma das principais lideranças na convenção de lançamento da campanha para reeleição de Emídio em Osasco (SP).

Cunha é acusado pelo Tribunal de Contas da União de ter causado um prejuízo de pelo menos R$ 252 mil aos cofres públicos em contrato da Câmara com a SMPB, agência em que Marcos Valério era sócio. O contrato rendeu R$ 21,9 milhões à SMPB. Foi a agência do publicitário que fez a campanha do deputado à presidência da Câmara, em 2003.

O deputado José Genoíno (PT), acusado de falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, esteve em comício de Marta Suplicy. Paulo Rocha (PT-PA), acusado de lavagem de dinheiro também no esquema do mensalão, apóia a eleição de Mario Cardoso em Belém. Delúbio Soares, ex-tesoureiro, acusado de formação de quadrilha e de corrupção ativa, já participou de ato da campanha de Iris Rezende (PMDB) em Goiânia.

Esses foram alguns exemplos de mensaleiros. Depois a gente fala sobre os membros das milícias.

Publicado em:  on Setembro 11, 2008 at 7:52 pm Comentários (1)

O MITO DO BOM VELHINHO

Por Alessandra Germano

Não, essa não é sobre o Papai Noel, mas poderia dizer que é quase tão lenda quanto o tal morador da Lapônia. No entanto, não somente na Escandinávia, esses estão espalhados pelos cinco continentes da Terra. Também não é necessário que se espere um único dia no ano pela sorte de encontrá-los descendo sorrateiramente pelas chaminés.

Esses a gente vê nas ruas, nas filas preferenciais dos bancos, e podem até entrar em nossas casas pela porta da frente sem despertar grandes suspeitas. São aqueles que chegaram à melhor idade e, portanto, são (bons)velhinhos. Mas seriam velhinhos bons?

De onde surgiu a idéia de que todo idoso é uma boa pessoa? Há alguma pesquisa científica que comprove que quanto maior a idade melhor o caráter? Esse mito de que criança é anjinho e de que velho é bonzinho, comigo não cola.

Para mim, o bom caráter não se adquire com o maior número de primaveras acumuladas. Apesar de concordar que o ambiente onde vivem as pessoas seja importante na sua evolução, acredito que o caráter é inato no homem.

A educação, a cultura e a família interferem sim nas escolhas de cada um, mas essas são guiadas pelo caráter já adquirido desde o nascimento. Eu costumo dizer que bandido também envelhece.

Veja só que velhinho simpático. Este senhor bem vestido aí é Augusto José Ramón Pinochet Ugarte (1915-2006). Um vovozinho muito fofo, não é? Pinochet foi general do exército, presidente e senador vitalício do Chile.

Por apenas 17 anos, o Chile esteve sob o poder ditatorial de Pinochet, que assumiu o posto depois de liderar um golpe militar – com grande apoio dos sempre intrometidos Estados Unidos – que derrubou o governo do primeiro presidente socialista eleito democraticamente na América Latina, Salvador Allende.

Um dos seus primeiros atos foi o extermínio de aproximadamente 75 presos políticos do governo pela operação militar itinerante Caravana da Morte, em 1973. Esses eram retirados de cadeias locais e levados para regimentos ou arredores das cidades para serem fuzilados.

Segundo Joaquín Lagos, general reformado chileno, as vítimas do pelotão de fuzilamento eram destroçadas. “Eles as fuzilavam por partes. Primeiro nas pernas, depois nos órgãos sexuais, depois o coração. Sequer havia tiro de misericórdia”, disse à Televisión Nacional.

Um dos casos de violação dos direitos humanos mais notórios do regime Pinochet, a Caravana da Morte foi responsável por torturas, assassinatos e exílios de mais de três mil opositores. Em 2001, durante interrogatório, Pinochet disse desconhecer tais homicídios e atribuiu a responsabilidade a seus subalternos, chefes locais das guarnições militares.

Ainda em 2001, o grande general, ditador e senador vitalício – muito macho –, apresentou atestado de debilidade mental que evitou uma possível condenação. Pinochet morreu em dezembro de 2006, aos 91 anos de idade, sem ter sido julgado por seus crimes.

Pinochet é só um exemplo de um grande filho da puta que envelheceu. Mas há vários outros célebres na mesma situação, como:

Ø George H. W. Bush (pai, 84 anos);

Ø George W. Bush (filho, 62 anos);

Ø Radovan Karadzic (61 anos);

Ø Elizaphan Ntakirutimana (pai, 84 anos);

Ø Gerard Ntakirutimana (filho, 51 anos – esse não é tão velho, mas pode ficar, já que ainda não fez o favor de morrer);

Ø Antônio Carlos Magalhães (morto – graças a Deus – aos 79 anos);

Ø Eurico Miranda (64 anos), entre tantos mais conhecidos e desconhecidos.

Caso haja algum dos citados acima que você não conhece, por favor, pesquise na Internet. Vale a pena saber quem são os velhinhos nada bons e o que fizeram em sua longa vida.

Publicado em:  on Setembro 9, 2008 at 12:36 pm Comentários (2)

POR QUE O VICE-GOVERNADOR PODE

Por Alessandra Germano

No dia 13 de julho de 2007, foi publicado o Decreto 28.134 regulamentando a Lei 3.035 de 2002, que trata do Plano Diretor de Publicidade. Essa publicação estabelece regras mais rigorosas sobre os engenhos de publicidade (outdoors, painéis, faixas, frontlights) afixados regular e irregularmente em áreas públicas e particulares. O objetivo principal é estabelecer o uso do espaço de forma a ordenar as publicidades e evitar a poluição visual.

Mesmo tendo resultado em milhares de derrubadas, esse decreto só dispunha acerca das áreas tombadas do Distrito Federal – Plano Piloto, Cruzeiro, Candangolândia, Lago Sul e Lago Norte – e vias de trânsito de acesso às pontes das Garças, Costa e Silva, JK e Bragueto. Para estender a restrição às regiões administrativas fora das áreas tombadas, foi publicado o Decreto n° 29.413 (20/08/2008), que regulamenta a Lei n° 3.036 de 2002.

Dentre as várias especificações, há a que trata sobre os meios de propaganda fixos em canteiros de obras e estande de vendas. Segundo o disposto no art. 38 do Decreto 29.413/08, o somatório das áreas dos meios de propaganda fixos no solo no interior do canteiro de obras não poderá ultrapassar 20 metros quadrados para os lotes de uso comercial.

Apesar da lei, o canteiro de obras do empreendimento Centro Empresarial Parque Brasília da construtora PaulOOctavio, localizado na Quadra 01 do Setor de Indústrias Gráficas (SIG), tem cinco painéis, um do lado do outro, ocupando toda a área frontal do terreno, e mais um, na lateral, onde também há um estande de vendas.

Mesmo sem uma trena é possível perceber com facilidade que as dimensões das propagandas fixas em solo não obedecem ao estabelecido no decreto assinado pelo governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Este é só um exemplo, pois não foram analisadas outras infrações. É importante frisar que a construtora PaulOOctavio pertence ao vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo do DF, Paulo Octávio Pereira.

Por que o vice-governador pode? É só mudar a construção da frase: Pode, porque é o vice-governador.

Publicado em:  on Agosto 27, 2008 at 4:15 pm Deixe um comentário
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CHESTER® SÓ TEM UM: PERDIGÃO.

Por Alessandra Germano

Você contrataria um funcionário qualquer, pelo período de oito anos, para representar o seu estado com a função de legislar (propor, discutir e deliberar sobre a estrutura legislativa do país), recebendo mensalmente R$ 16,5 mil, mais verba indenizatória de R$ 15 mil?

E se nesse período ele tivesse a brilhante idéia de propor o Dia Nacional do Chester? Isso mesmo, Chester. Aquele frango de proporções enormes que a gente só vê morto e congelado dentro da embalagem plástica.

Pagar essa grana para qualquer funcionário não dá, não é? Além disso, para delegar a outra pessoa o poder de propor leis (que você também terá de cumprir), é necessário conhecer bem suas qualificações e aptidões para tal cargo.

No entanto, não é isso que a gente costuma fazer. A cada quatro anos, recontratamos os mesmos funcionários que desviaram nosso dinheiro, que descumpriram todas suas promessas, que negligenciaram seus próprios empregadores.

É claro que não estou falando de funcionários celetistas que respondem a uma pessoa jurídica qualquer. Estou me referindo aos candidatos eleitos para cargos políticos; que pra mim é ainda mais delicado do que lidar com empregados comuns.

Acredito que isso acontece porque nós não enxergamos o Estado como nossa empresa particular, nem os parlamentares como empregados que trabalham para nós. Mas é justamente isso o que eles são.

Por exemplo, enquanto o senador é eleito para representar um estado, o deputado federal é representante do povo desse estado. E eu não preciso dizer que é esse “povo”, não é? Em outras palavras, é para a gente que eles devem satisfação, afinal, trabalham para nós.

Então, sem saber disso, ou mesmo sabendo, a gente é obrigado a sair de casa num dia de domingo para escolher a pessoa que tomará as decisões por nós, e ainda assim, votamos no mesmo candidato que um dia nos passou a perna… ou na cria dele.

Voltando ao galináceo

O exemplo do Dia Nacional do Chester não foi somente para ilustrar. Esse episódio realmente aconteceu, no dia 3 de abril de 2002, e quem teve a sensacional idéia da proposta foi o então senador Casildo Maldaner (PMDB-SC), eleito para legislatura de 1995 a 2003.

Não há o que se discutir sobre a homenagem à pobre ave morta, congelada e ensacada, que tem importância imensurável à tradição do estado de Santa Catarina, do qual o senador era representante. No entanto, eu me pergunto quem realmente seria o homenageado.

Pois, vale lembrar que Chester®, além de ser uma marca registrada, é produzida EXCLUSIVAMENTE pela Perdigão. Chester® designa toda uma linha de produtos (hambúrguer, salsicha, lingüiça, mortadela, peito defumado, entre outros) desenvolvidos por meio de sucessivas seleções e cruzamentos de linhagens diferentes a partir da espécie Gallus gallus.

Será que a Perdigão, fundada em 1934 por imigrantes italianos em Videira, Santa Catarina, teria patrocinado a candidatura de Casildo Maldaner ao Senado? Isso eu não posso afirmar. Mas sei que, na época, o suplente de Maldaner era Henrique Loyola, empresário do setor têxtil, segundo maior doador de recursos a sua campanha de 1994.

É importante frisar também que suplente de senador não é eleito por voto popular, ele é escolhido pelo próprio candidato. Em outras palavras, quando o senador eleito pelo povo, por algum motivo, se afasta do cargo, quem toma posse é o suplente, escolhido por ele mesmo.

A boa notícia é que o homem do super frango voltou: Casildo Maldaner tomou posse em 1° de julho deste ano como 1° suplente do senador Raimundo Colombo (DEM/SC), licenciado para acompanhar as eleições municipais de Santa Catarina.

É desse jeito, mesmo quando a gente não vota em picaretas, outros se responsabilizam por trazê-los de volta. Casildo Maldaner bem que podia propor o Dia Nacional da Pizza ou da Marmelada, esses sim teriam verdadeiro motivo para existir.

Só para constar:

Ø É papel do senador a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União;

Ø Demandam maior parte do trabalho do senador o que diz respeito às leis orçamentárias, como e quanto o governo gastará o dinheiro público;

Ø Senadores podem compor Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI);

Ø É de competência privativa dos senadores processar e julgar o presidente e vice-presidente da República, ministros do Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República e o advogado-geral da União nos crimes de responsabilidade.

Publicado em:  on Agosto 25, 2008 at 1:55 am Comentários (2)